Uma vontade que eu ainda não sei explicar

Sobre o incômodo que apareceu quando a rotina voltou

Há alguns dias tenho sentido um incômodo que ainda não sei muito bem nomear.

Não é tristeza.

Também não sei se é solidão.

É mais uma vontade.

Vontade de estar perto de pessoas.

Conversar.

Rir.

Ouvir alguma coisa que não tenha relação com trabalho.

Conhecer pessoas.

Trocar experiências.

Fazer alguma coisa sem precisar que aquilo tenha um propósito.

Não sei exatamente de onde veio.

Depois das férias

Passei algumas semanas fora da rotina.

Viajei com a minha namorada. Depois, alguns dias com a minha filha.

Foram dias cheios de movimento, de lugares diferentes, de conversas, de estar junto.

Quando voltei, voltei também para a rotina.

Trabalho remoto.

Casa.

Reuniões.

E, fora do trabalho, pouco contato com outras pessoas.

Meu círculo de amizades nunca foi grande.

E não vejo isso como um problema.

Tenho pessoas de quem gosto e que fazem parte da minha vida.

Mas talvez eu esteja percebendo uma vontade diferente agora.

Não necessariamente de ter mais amigos.

Nem de preencher algum espaço que esteja vazio.

Talvez seja simplesmente vontade de conviver um pouco mais.

O silêncio depois do movimento

Fiquei pensando se isso já estava aqui antes ou se apareceu depois das férias.

Talvez as duas coisas.

Quando a gente passa algumas semanas vivendo de outra maneira, talvez a volta faça algumas coisas ficarem mais visíveis.

O que antes era apenas rotina passa a parecer silêncio.

O que antes parecia normal começa a incomodar um pouco.

E talvez seja isso que esteja acontecendo comigo.

Também tenho vivido de um jeito meio nômade.

Um pouco na minha casa.

Alguns dias com a minha filha.

Alguns dias com a minha namorada.

Depois volto.

É uma vida cheia de movimento, mas, ao mesmo tempo, talvez com pouco espaço para aquela convivência simples que acontece quando a gente está no mesmo lugar.

Sentar para conversar.

Almoçar com alguém.

Rir de alguma bobagem.

Encontrar uma pessoa sem ter planejado.

Essas coisas pequenas que não parecem importantes até a gente perceber o quanto gosta delas.

E aí aparecem os dragões

O problema é que, quando aparece um incômodo, a cabeça raramente deixa ele sozinho.

Ele vem acompanhado.

Começo pensando que talvez esteja com vontade de estar mais perto das pessoas.

Depois penso que talvez meu círculo social seja pequeno.

Depois penso que talvez eu esteja vivendo pouco.

Depois aparecem outras coisas.

E, quando percebo, aquela vontade inicial já virou uma história enorme sobre a minha vida.

Talvez seja aí que eu precise tomar cuidado.

Porque uma coisa é querer mais convivência.

Outra é transformar essa vontade numa conclusão sobre quem eu sou ou sobre a vida que estou levando.

Ainda não sei

Não sei se isso é uma fase.

Não sei se é o efeito de ter saído da rotina e depois voltado.

Não sei se passei a perceber mais o silêncio depois de experimentar algumas semanas com mais gente por perto.

E talvez eu nem precise descobrir agora.

Talvez eu possa simplesmente observar.

Sem transformar a vontade de estar com pessoas numa obrigação de conhecer mais gente.

Sem achar que ter poucos amigos significa ter uma vida pequena.

Sem transformar alguns dias mais solitários numa explicação para tudo.

Talvez eu esteja apenas com vontade de viver um pouco mais do lado de fora da tela.

De conversar.

De estar.

De compartilhar algum tempo com outras pessoas.

Sem precisar que isso signifique alguma coisa maior.

Talvez seja só uma vontade.

E, por enquanto, acho que está tudo bem não saber exatamente de onde ela veio.

Posts Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *